Neste mês junho de 2025 e celebrando a diversidade e a igualdade para todos os gêneros e sexualidades trazemos uma reflexão interessante!
É um fato que relações amorosas de namoro estão sob forte impacto da internet, redes sociais, sites de relacionamento ou apps; vale a pena pensar um pouco sobre como estão essas relações quando se trata de homens que são pais e gays.
Conversamos um pouco, pedindo depoimentos, com alguns desses homens que hoje fazem parte do Grupo Homopater (
www.homopater.com.br grupo de homens pais e gays) e seus respectivos parceiros. Podemos tirar ideias interessantes e muito atuais (ou nem tanto), sobre o que é hoje em dia namorar para eles.
Os 16 homens que deram seu depoimento têm idade entre 30a e 70a e o tempo de namoro varia entre 6 meses e 11 anos. A título de curiosidade os namoros em sua maioria aconteceram porque se conheceram em apps, sentiram que “ele era interessante”, “teve química” e se permitiram continuar a se encontrar, mesmo com muita resistência e insegurança, sem saber se era “a coisa certa a se fazer...”
Quando conversamos sobre relacionamentos entre homens é comum escutarmos que apesar das facilidades hoje em dia devido os apps, ou mesmo a liberdade de estar em espaços que permitam ou favoreçam maior contato e aceitação da diversidade, existe muita dificuldade para quem busca um compromisso. A justificativa é que homens não são confiáveis, que são pouco comprometidos em seus relacionamentos, pois nem mesmo resistem a uma boa paquera. Quando questionados os homens integrantes do Homopater dizem que estão sim buscando alguém, querem envolvimento afetivo. Aqui é visível uma forte idealização, querem o homem perfeito fisicamente, que seja muito afetuoso fiel e carinhoso para namorar sério, embora entre eles mesmos seja comum julgarem o outro: “gays que não se interessam por namoro, pois só querem saber de pegação e sexo fugaz”.
Então seria possível existir namoro entre homens gays? Face a esse impasse, fomos perguntar a eles
"como é namorar hoje se você é um homem pai e gay, o que é positivo/negativo na sua relação de namoro, o que te mantem namorando?" Como percebem, sentem seu namoro com outro homem?
Alguns aspectos comuns desses participantes do grupo homopater é que eles são pais porque tiveram um casamento heterossexual com as mães de seus filhos, e portanto se entenderam e se assumiram gays mais tardiamente. O namorado na maioria das vezes é mais novo e como eles mesmos denominam, um “gay raiz” desde sempre. Esse aspecto estabelece padrões desiguais nas relações que podem ter estressores específicos. É de se esperar que os desníveis, as desigualdades (idade, ciclo vital, cultural, financeiro, educacional, social...) engendrem desafios múltiplos, dificultando o estabelecimento de uma rotina mais harmônica com interesses convergentes.
Os
aspectos positivos,
* Conexão afetiva, gostar, amar;
* Companheirismo;
* Parceria de vida, de resistência;
* Ter alguém que compartilha do mesmo afeto;
* Ter alguém para dividir e compartilhar experiencias;
* Ter alguém dando apoio, carinho, com quem pode contar;
* Estar ao lado de quem admira;
* Relação que permite construir uma história, uma parceria de fato, dar e receber apoio;
* Não ter que esconder (a orientação sexual gay), se assumir;
* Viver uma referência concreta da homoafetividade, do universo gay
* Estar com quem tem carinho e respeita seus filhos e sua vida pregressa;
* Ter um companheiro que me ama, cuida, paparica;
* Compromisso no relacionamento aprofundado;
* Gostar dele e ser amado por um bom companheiro;
* Estar com quem te dá segurança e tranquilidade;
* O sexo bom;
* Dormir junto abraçado;
* Estar bobo e feliz;
* Cumplicidade, atenção;
* Amizade, companheirismo, compromisso;
* Poder construir um namoro gay, não heteronormativo.
* Viver uma relação verdadeira, transparente com outro homem, sem máscaras;
* Aprofundar a homoafetividade, o que é amar outro homem;
* Ter alguém seguindo junto seu caminho que é individual;
* “É a pessoa (seu namorado) que mais me conhece, não apenas uma carnal só de sexo”.
Os
aspectos negativos
* O modo heteronormativo de viver relação a dois (vivido anteriormente antes de se assumir) interfere no namoro LGBT; homofobia internalizada;
* Enfrentar próprios preconceitos; ter medo de julgamentos;
* Enfrentar o preconceito social a comunidade LGBT, a homofobia externa;
* Dificuldade de expressar carinho em público;
* Pouca intimidade; estabelecer a conexão afetiva o entre dois homens;
* Inseguranças de traumas anteriores projetadas na relação a dois;
* Discrepâncias de ciclo vital, nível educacional, cultural, financeiro que geram estresse no casal (alguns casais com desníveis acentuados);
* Parceiro possessivo, desconfiado quanto ao compromisso do outro na relação, traição (principalmente se há desnível acentuado);
* Estar sempre junto, ser um casal abafa e afoga a individualidade;
* Namorado muito disponível, sempre presente;
* Conviver com o jeito de ser do parceiro (bagunceiro, espaçoso, sem limite), incompatibilidades;
* Difícil morar junto, namorado atrapalha a rotina, a dinâmica da vida;
* Insegurança quanto ao futuro (namorado é mais jovem), poderá ficar sozinho envelhecer antes;
O que me mantem namorando-o
* Forte conexão a dois;
* Por amor; alguém que posso amar, alguém que me ama;
* Comunalidades na vida, semelhanças que aproximam;
* Admiração por valores e princípios do outro, comprometimento;
* Amor, compreensão mútua;
* Possibilidade de crescer junto;
* A ternura que vejo nos olhos dele;
* E excelente pai e profissional;
* E muito generoso;
* Troca sincera de afeto, busca de entendimento, companheirismo;
* Momentos felizes partilhados a dois;
* Ter alguém de quem se gosta que é carinhoso, atencioso, generoso;
* Respeito a individualidade e ao caminho de cada um; não precisa morar junto;
* Sexo (e amor);
* Ter alguém que te respeita enquanto homem e enquanto pai;
* Mesmos ideais, mesma sintonia;
E nos parece que conexão afetiva mutua, companheirismo, cumplicidade, amor, empatia pelo outro além da atração física que dá liga, são os grandes elos que une um casal formado por dois homens. E assim podemos concluir que não se observa muita diferença entre namoros heterossexuais, homossexuais, de idade mais avançada ou de idade mais precoce.
As exceções para os homens pais e gays é que por se assumir mais tardiamente precisam lidar com a homofobia social e internalizada. E nas relações homoafetivas mais tardias, após divorcio precisam enfrentam relações com desníveis ou desigualdades acentuadas que impõe desafios.
Junho de 2025
Vera Moris
Clique aqui para voltar.
Se você quiser compartilhar total ou parcialmente o texto acima, tem autorização
desde que seja matido o respectivo crédito de autoria e propriedade intelectual,
sob as penas da lei vigente.
Caso queria participar das nossas reuniões presenciais ou virtuais, entre em contato
cadastrando-se aqui e seja muito bem vindo.